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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Catar coquinho na Lapônia



   A Lapônia fica ao norte da Escandinávia e compreende parte do território da Noruega, Suécia, Finlândia e Federação Russa (península de Kola). De clima subártico, a vegetação é esparsa ao norte, e ao sul se situa a floresta boreal. A região foi popularizada no mundo inteiro por ser considerada o local onde reside o Papai Noel.
   Criei recentemente uma expressão para denotar coisas impossíveis: ‘catar coquinho na Lapônia’. Penso que nem o próprio Papai Noel acreditaria que existe algum coquinho a ser catado por lá, mesmo com todo o esforço do faz-de-conta, tendo em vista as características de clima, temperatura. Mesmo a espécie como o Jerivá (Syagrus Romanzoffiana), que tolera geadas, se adapta no máximo às baixas temperaturas de um clima subtropical.
   Assim, pensei nas coisas impossíveis e o quanto é difícil distinguir o que é ou não viável, tendo em vista que existem certas ilusões que nos induzem em expectativas.
   Como diz a música Causa y efecto do cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler: “a vida cabe num clic. Em um abrir e fechar (...) Trata-se de distinguir o que vale e o que não vale a pena”. Esta poderia ser uma grande direção para o nosso caminho de vida, se pudéssemos avaliar tudo com lentes de aumento e diferenciarmos, por exemplo, o que é um mero desejo de um sonho, e ainda o que é ou não apenas uma miragem que se apresenta como uma linda propaganda de margarina ou um cartão de créditos sem limite.
   Penso que o próprio contraste da vida nos dará vários sinais que poderão nos tirar da distração de um caminho apenas bonitinho. O que nos faz feliz e a quem gostamos deveria ser prioridade se isso não fará alguém sentir o contrário. ‘Catar coquinho na Lapônia’ pode ser uma experiência inesquecível e dolorosa, o momento em que apostamos todas as fichas e percebemos tudo ir para o espaço sideral em tempos em que o deletar se tornou conjugação diária. E assim poderemos ver um sonho evaporar-se na tecla ‘del’, e sem chances sequer de estar na caixa de spam e muito menos ser compartilhado.
   Mas viver só se aprende vivendo, e ao viver é que se aprende. Então fica aqui minha sugestão, ao catar coquinhos na Lapônia nunca se esqueça de convidar o Papai Noel para essa empreitada, porque se existem coisas impossíveis, teremos que vencê-las com serenidade e humor, até a próxima tentativa.

Crônica publicada nos jornais:
Diário Popular (Pelotas), NH (Novo Hamburgo), 
Correio de Gravataí, Diário de Viamão e Diário de Cachoeirinha.

Meus agradecimentos ao amigo Jacques Beduhn, 
pela consultoria a respeito da existência ou não de 'coquinhos na Lapônia'
o Jacques também é biólogo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ho ho ho


   Uma crônica de Natal*, de minha autoria, para vocês!


Estrada a caminho das cidades de Gramado e Canela,
 região da serra gaúcha também conhecida
 pelo turismo natalino, além da cultura dos imigrantes italianos e alemães.
Sábado, dia 3 de dezembro, rumei à procura das festividades
da serra...

...no caminho, a beleza da natureza e suas boas vindas.
Pórtico da cidade de Gramado.
   
Belvedere em Gramado. Um pouco da serra gaúcha ao dispor dos olhos (!!!)
   Sonhei noite passada com o Papai Noel, senhor bem apessoado, vestia calça jeans e camisa de tecido leve. Lembro-me que o convidei para sentar à mesa e tomar um cafezinho, comer um pão quentinho com manteiga.
   Olhando firme para ele, disse:
   - Papai Noel, o senhor poderia dar um jeitinho de amenizar as corrupções e injustiças sociais no nosso país?
   - Ho ho ho – disse – Sou apenas o Papai Noel.
   Acordei-me de súbito. Mas como “apenas o Papai Noel”? Ora essa! Acreditei que  ele poderia me presentear com tudo que pedisse. Pensei que Noel era um super-homem. Presenteou-me com a boneca, a bicicleta e até o cachorrinho de pelúcia que latia de verdade.


Avenida Bento Gonçalves em Gramado...

... a mais movimentada do centro.












Exposição de renas pintadas por artistas, nas ruas de Gramado.

Natal em Canela, cidade ao lado de Gramado.
Papai Noel em Canela.
   O Natal parece mágico mesmo, até para quem nem acredita em Jesus ou não leva a sério os motivos religiosos, mas não pode ignorar as decorações, os presentes, a reunião em família ou com os amigos, talvez os colegas de trabalho ou estudo. Algo estará acontecendo que propicia uma certa reflexão preparatória de virada de ano, e a figura do Papai Noel, ainda que um mito urbano e infantil, se introduz em nosso cenário. É impossível ficar indiferente ao apelo simbólico desse senhor, um resgate do gênio da lâmpada com roupa vermelha de inverno, mesmo no nosso verão brasileiro.
   Quantas coisas desejamos, materiais ou não, o que precisamos e o quanto tentamos conseguir, todas essas facetas ficam mais transparentes em época de Natal. É como celebrar um nascimento toda vez que abrimos uma reflexão sobre o que poderia acontecer, ou se o que aconteceu foi ou não como se pretendia. Se conquistamos, ou perdemos. De certa forma, isso nos traz algum tipo de aprimoramento ou nos sentimos vivos simplesmente por traçar objetivos, ou por querê-los concretizados.
   Se você pudesse pedir ao Papai Noel qualquer coisa na sua vida, sabendo que ele realizaria, o que você pediria?
   Mas como a realidade é diversa, temos que lutar muito para conseguirmos o que almejamos, então nos resta buscar à vida. Reunirmo-nos com os amigos, com a família, procurar o Papai Noel primeiro em nós mesmos, na certeza que temos que fazer por nós, antes de exigirmos do mundo um tipo de compensação.
   Esse é o Natal, um nascer para si que se refletirá nos outros. Num olhar, num sorriso. Pois vida que nasce também é a simplicidade de luzinhas em pisca-pisca, de um forte abraço, de lembranças: uma ou mais pessoas em comunhão numa noite quente, ao redor de uma mesa, conversando sobre a vida.

*Crônica publicada nos jornais:
NH (Novo Hamburgo);Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul); 
VS (São Leopoldo); Diário Popular (Pelotas); Correio Rural (Viamão); 
Correio de Gravataí; Diário de Viamão.

Espetáculo: Árvore cantante.
Na rua coberta, no centro de Gramado.

Espetáculo noturno do Natal Luz...
... até os jardins entram na dança das luzes do Natal!


Mensagem de todos para todos

   Pessoal, coloquem nos comentários uma mensagem de vocês relativa ao próximo ano, (desejos, expectativas...), e direcionada aos outros leitores/comentaristas do HumorEmConto. 
   Peço que só comentem quem quiser que sua mensagem seja publicada no próximo post. Na última postagem do ano, a próxima, poderemos ler a Mensagem de todos para todos!



Um ótimo Natal 
para vocês 
e suas famílias!





Presépio da minha casa, com a bênção da padroeira do
Brasil, Nsa. Sra. Aparecida.
Sugestão de leitura:

- Entrevista com minha irmã, Isabel Rodrigues, no site do amigo 
Paulo Cheng:
http://www.paulocheng.com/2011/12/entrevista-com-jornalista-gaucha-isabel.html

- Maravilhosa crônica - A ridícula árvore de Natal - do meu amigo, 
Victor Von Serran: 
http://universovonserran.blogspot.com/2011/12/ridicula-arvore-de-nata.html#comment-form


Sugestão de áudio: 
En Navidad, interpretada pela cantora espanhola Rosana Arbelo. Essa música é indispensável no Natal aqui em casa. Toda diferente dos clássicos, tem um tempero latino especial, mas preservando a reflexão.