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sábado, 1 de dezembro de 2012

Garçom brega ou chique



   O cantor e compositor gaúcho Filipe Catto, um dos expoentes da nova geração da MPB, disse num programa de TV que não existe música brega. Para ele há apenas duas classificações de música, a que o comove e a que não o comove. Ousado, gravou em seu primeiro CD, “Garçom”, de Reginaldo Rossi, um dos ícones do chamado brega nacional.
   Concordo com Filipe, pois penso que a arte verdadeira se funda além-fronteiras, é democrática, rompe paradigmas: ela própria é o alicerce da vanguarda e abre novas possibilidades.
   Quando Andre Rieu, famoso regente e violinista holandês, conhecido como “embaixador das valsas”, veio ao Brasil, causou certo alvoroço no meio dito intelectual ao apresentar com arranjo erudito a música “Ai se eu te pego”, popularizada na voz de Michel Teló. Para além de um possível jogo de marketing, creio que Andre acertou na dose a proposta do que seja arte, ao transcender o preconceito e o transformar em música acessível, agradável e impecável.
   Não entrando aqui nos deméritos do lixo cultural, pois existem ruídos que sequer podem ser chamados de música; mas o que é brega ou não, talvez não tenha tanta importância mesmo. Impossível não reconhecer poesia, por exemplo, na música “Fio de cabelo”, da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, onde um fio de cabelo comprido da amada encontrado no paletó “é um pedacinho dela que existe”, que sacramenta o amor vivido. É a síntese da perda, do desamor, da falta.
   Outro exemplo, na música “Sabanas frías”, do grupo mexicano Maná, a expressão “quisera viver, amor, amarrado a teus ossos”, pode parecer piegas ou de uma dramaticidade exagerada se compreendermos apenas a imagem literal, porém, se abstrairmos e pensarmos em existência, talvez não seja. Nessa ou em tantas músicas, as possibilidades estão abertas a vereditos, interpretações, mas também podem transcender a quem se comover com elas, e neste momento, estará se cumprindo a arte por excelência.
   Saber conviver e estar disponível à harmonia com o diferente, aberto às possibilidades da arte, às pessoas, à vida, isso é ser elegante. É pedir ao garçom uma cerveja, se é o que você quer beber; e não Veuve Clicquot apenas para impressionar. Eis a lição para nossa vida da música como arte: transcender-se, simplesmente.


 Garçom - interpretação de Filipe Catto

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   Pessoal, o blog completou dois anos no dia 18 de novembro. Agradeço imensamente a todos que fazem parte dessa história, acompanhando com a leitura, comentários e toda interação possível dentro dessa magia chamada blogosfera. Agradeço também aos amigos que fizeram parceria literária comigo, com certeza cresci muito com esses diálogos.
   A partir de agora, as postagens serão esporádicas, mas sempre preparadas com todo o carinho. Também decidi manter o nome de origem: Humor em Conto, apesar de que os textos serão bem variados, mas fieis a marca que sempre os caracterizou.
   Um abraço do tamanho do mundo para vocês!