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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Nota sequencial para versos de outrora

Fotografia de Jorge Pimenta


O destino que se cumpra,
se o destino for
Eu apenas quero a flor
de uma última penumbra,
onde a sombra,
entendo eu,
é apenas o lugar
onde a luz
pode declarar-se
verdadeiramente.


Wilson Caritta Lopes

Todo vestido de preto, entrou no quarto de hotel. Dirigiu-se até uma bancada sem acender as luzes. Do lado direito das cortinas cor areia, um feixe recatado de luz pedia licença para lhe iluminar a silhueta e protocolar pequeno testemunho. Sobre a bancada, remexeu em pastas procurando dados entre os dedos, como quem colhia frutos de própria estação. Deletou pensamentos, buscou arquivos e o abraço dos amigos. Recordou-se de quando expelia arco-íris pelos poros, do sorriso fácil e que construía degraus de nuvens entre os versos. Que um dia amou e no outro também.

[Em pedra-ferro, cravada à beira do abismo, entre o temporal e o sol laranja, rezava a escritura:

é esta a minha terra,
o lado norte dos versos,
um país, uma palavra
toda a verdade.
terra branca
letra e poema de tantos segredos
dentro e fora de mim,
a semear braços, horizontes de anis
e outras moradas
onde escrevo,
aplaino rimas
e reinvento silêncios

De entre as pastas, selecionou apenas duas. Saúde e justiça são irmãs da mesma verdade e parceiras da mesma dor.

[Lenda, Poemas em Autoplágio ou apenas imaginação. Cravada à pedra-ferro, rezava a escritura:

o poema corre-me com a água
do canto
lava leve lembra
é este o som é este o sentido
porque as estrelas de dedos longos sempre tocam
as portas e os girassóis
que cabem no mundo:

é aqui, no verso,
que sou todos os homens
é aqui, no verso,
que me esqueço do tempo
é aqui, no verso,
que escavo o fogo.

eis-me o verso.

Com semblante seguro, passou pelo umbral carregando as pastas em baixo do braço esquerdo e mais duas gotas de certeza: homens de bem e poesia jamais falecem a causa da senhora realidade.

Foi quando o poeta tocou a primeira nota sequencial para seus versos e ela espirrava como a alma.

Em memória do poeta Wilson Caritta Lopes
(1964 – 2013)


Jorge Pimenta & Ana Cecília Romeu

The Cinematic Orchestra - To build a home


domingo, 15 de julho de 2012

Dê um passo à frente quem for mulher



Resultado da minha parceria literária com a amiga Luciana Santa Rita


"Não meça o trabalho até que o dia tenha acabado... e o trabalho concluído." 
(Elizabeth Barrett Browning autora de Sonnets from the Portuguese - 1847)

   Elizabeth Barret conhecia as peças de Shakespeare e outras obras clássicas antes dos 10 anos de idade, mas era apenas uma poetisa emotiva da época vitoriana. Talvez nunca percebesse que poderíamos ser agentes de nós mesmos, como pilotos de nosso próprio avião, assumindo o controle, definindo rumos, por meio da distinção dos desejos, em objetivos ou caprichos.
   Drummond poetizou a mulher de inúmeras formas, mas a diferença não está no gênero, mas na capacidade dessa mulher de olhar um caminho à direita; e outro à esquerda, e poder optar independente, pelo que parecer mais atraente no momento até onde a vista alcança.
   A mulher vanguardista pode ser interpretada como protótipo da gata borralheira, idealizada como uma mulher desprendida no ato de doar, de ofertar carinho.
   A mulher ao longo do tempo foi discriminada por razões de diferenças biológicas, sendo-lhes atribuído um papel social restrito à esfera da vida doméstica. Todavia com as mudanças sociais, a atuação do movimento feminista introduzindo a perspectiva de gênero, a diferença entre homens e mulheres ganhou nova dimensão: a cultural.  Sendo possível distinguir o que é um mero desejo, de um desejo que se transforma em um objetivo de vida, mesmo que sem maiores pretensões ou que represente uma pequena passagem de tempo. 
   Mesmo considerando a inserção da mulher no contexto urbano, ainda é notória a reduzida representação feminina em várias esferas. A fragilidade dos salários, os indicadores de violência doméstica, a mulher objeto, a compatibilização da cultura machista com as leis, entre tantas outras evidências disso.
   Neste período em que encontramos inúmeras possibilidades que podem nos transformar de Borralheiras a Cinderelas num escorregar de mouse, o gênero e a beleza ainda são igualmente utilizados para designar as relações sociais entre os sexos. Essa discussão revela que o estudo do gênero sempre serviu para desmitificar ideias construídas sobre os papéis adequados aos homens e às mulheres.  E assim, lembrando a frase de Simone de Beauvoir: “não se nasce mulher, torna-se mulher”.
  À mulher é exigido o equilíbrio de relacionamentos que já estão esfacelados, onde houve mudanças e que talvez não devam ser mesmo eternos, isso mesclando à complexidade feminina que incorpora todo o cardápio de princesas: Bella, Cinderela, Branca de Neve, a Fiona, mas também a madrasta má, suas filhas, até o espelho mágico e o tapete do Aladim.
 Confinadas e multifacetadas, mais exigidas e fortes emocionalmente que os homens, talvez por isso, permitindo-se ser a madrasta má de vez em quando. Versáteis, pois cabem vários papéis ao longo da vida, até para quem não é mãe, mas é tia; para quem está desempregada, mas é do lar.
   Pensar em vanguarda é entender a ditadura do ‘sejam melhores em tudo’: tão interessante como a princesa, mas forte como a madrasta. Mas que deseja um Tiago Lacerda, embora pareça só existir os Shereks. Nesse contexto, ainda se faz presente a figura do Mr. Magoo (personagem-detetive, com grave deficiência visual) procurando a Mulher Maravilha, ou seja, exigindo uma super-heroína, embora não 'veja' a ponto de reconhecer ou valorizar uma. A verdade é que sapato de cristal quebra e não é confortável.
   Por um lado, sair da vanguarda nas relações amorosas pode significar passar a vida inteira substituindo o protagonista da estória, se repetindo na sessão da tarde por vontade ou falta de opção. Acreditando naqueles que pareçam confiáveis, repetindo o refrão de que ‘é preciso confiar’, mesmo quando o cara pede um tempo. Não percebe o amor à contra-gotas, granel ou em doses homeopáticas.
   Por outro, existe a vanguardista que não se conforma com ‘tanto faz’, nunca reclama se não há luz no inferno ou acredita no céu enfeitado, apenas entende o estado das reticências, do ponto final e dos complementos. Não lamenta a solidão em seus escritos, nem agoniza suspiros sobre o fim: jamais prevê a catástrofe. Tem conduta simples, rápida, pronta, entende o fim, e parece disposta a se libertar. Agir dessa forma, pode ser a crença no amor, sem ter certeza da alma gêmea como eterna ou única possibilidade: um tanto da nossa vida é reciclada, algumas coisas tiradas e outras vêm em acréscimo, inclusive nos sentimentos, e isso não altera a força par, mas pode alterar a dança dos casais.
   Dê um passo à frente quem for mulher. Dê um passo à frente quem busca a dignidade que a realização traz. A realização de ser independente na escolha, mesmo que com erros e incertezas, tristezas ou felicidades, mas com rumo certo: apenas, um passo à frente.



Luciana Santa Rita & Ana Cecília Romeu

Este texto também pode ser apreciado no blog da Luciana.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Notícias do tempo

Fotografia de Jorge Pimenta

Resultado de minha parceria com o poeta Jorge Pimenta

Colocou a mão sobre o pedaço de jornal rasgado pelo homem. Sentiu-se arranhada pela tinta negra que se afogava nas digitais. Arabescos gravados em fibras de algodão com aroma de doce caseiro. A retina colheu grifos desordenados no que restara do papel areia. Nele, uma breve notícia sobre o tempo. Nos escritos da mulher, os tempos de outrora.

são assim as viagens do corpo
em cada dia de amores tristes:
envelhecem retinas
nos polaroids sem negativo,
algures nos pedaços sépia das notícias dos homens
dos jornais de vida
dos olhares pretéritos.

Fragmentos colados nos pulsos cantam como pássaro livre, mas ali, secos e inertes, no que se transformaram: pontos de tinta em papel.

sabem que um dia foram frutos da verdade
das suas meias mentiras
e dos segmentos de respiração
que aceleram o peito
e agitam alvoroços
no encontro das palavras com os dedos.

Notícias breves a saltar somente em sonhos.

um só homem,
uma só mulher,
e tantos tecidos por remendar
em linha cor de precipícios
comprimento de vendaval
num único compasso de tempo
[não o que rasga nomes com a tinta dos dedos
mas o verdadeiro,
aquele que se confunde com a respiração]
o tempo que inventa o mecanismo perfeito do
silêncio:
desce pelas paredes
rebola pelo chão
penetra os objetos
engole conversas
engravida o ar
para, no olhar seguinte,
o coração ser apenas promessa:
talvez uma hora depois…
talvez depois do calendário…
talvez nunca mais…

Tempo instável com muita nebulosidade, previsão de chuvas para as próximas horas, temperatura máxima em torno de 15 graus, com mínimas de 8 graus à noite.

Colocou a mão sobre o pedaço de jornal rasgado pelo homem. Nele, uma breve notícia sobre o tempo. Nos escritos da mulher, os tempos de outrora.


Jorge Pimenta & Ana Cecília Romeu

Marisa Monte & Paulinho da Viola, Dança da Solidão

sábado, 10 de dezembro de 2011

O gaúcho e o baiano


   Este texto fiz em parceria com o amigo Jaime Guimarães* que também fez as charges (maravilhosas!).
   Sebastião é gaúcho do distrito de Coxilha do Bugre; Jó do Ghetto é baiano do Pau Miúdo – calma, minha senhora, isso é o nome de um bairro em Salvador. Apesar da distância de pouco mais de 3 mil quilômetros separar os primos (sim, eles são parentes!) a internet os mantém em contato. Mas a boa e velha conversa ao telefone entre parentes e amigos ainda tem espaço - sobretudo quando se trata de um convite.
   - E aí tchê bagual? Quanto tempo criatura! Como tu estás? Aqui nestes pagos do sul tá um frio de renguear cusco!

   - Digái, negão, colé de mêrmo? Aqui é niuma, miserê, tudo tranquilo, pois a Bahia é linda, Salvadô é linda! E aê, meu véi, tu sumiu!

   - Vivente! Tu não podes esperar mensagem minha no tal de emeéssene, é esse o nome do bicho? E o fassebuc, não sei mexer nessa coisa, sou muito guasca, lembra? Só no tal de emeilll, porque a patroa me explicou.

   - Tô ligado! Rapaz, tô aqui retado, virado na zorra com o trabalho, é falta de tempo mesmo, mas cê tá ligado que cê é minha corrente, né, véi?

   - Tu és meu primo, sangue do meu sangue, filho do meu tio mais amado, o Floriano, que Deus o tenha! Por isso, te faço convite primo macanudo.

   - Diga lá, vá!

   - Aqui cerquita da Coxilha do Bugre tem a filha do fazendeiro Borges, dono de umas terras que vão até o Chuí! Prenda flor de linda, flor de formosura. Morocha! Os cabelos são mais negros que a asa da graúna. Tá solterita no más, e quer compromisso sério, pensei em ti piazito.

   - Massa, véi! Até tô querendo, mas...

   - Bah, tchê! Já estás com uma prenda nesse rincão aí?

   - Oxe, eu até andei quexando umas nêga uns tempos, mas eu me saí logo. Olhe, faça assim que não tem errada: manda o msn e o face da piriguéti que a gente troca uma ideia.

   - Já te falei que não sei mexer nesses troço aí, emeéssene, fassebuc, ou fassebóc? E não posso charlar com a prenda solterita que a Maria, minha patroa, me esgana!

   -  Oxe! E aí, faz o que?

   - Mas tchê, não te deste conta bagual? É para tu vires aqui no sul, passar uns dias no sítio. Garanto churrasco gordo, chimarrão e te levo lá na fazenda do Borges, meu companheiro de charla, aí conheces a filha do homem, a prenda flor de formosura!

   - Oxe, lá ele! Colé, meu bróder, acha que vou aí comer um frio da miséria como esse? Aoooonde?!

   - Estás me estranhando homem? Aqui prendemos a lareira o dia todo. E a morocha não pode esperar. Bom partido, logo arranja um gaúcho e tu perdes a oportunidade primo, agora que já fiz teu cartaz.

   - Foi mal, primo, foi mal... cê é corrente, cê é meu bróder. Olhe, eu agradeço, cê sabe que não sou de fuleragem, mas não posso sair agora, não, véi, senão me jogava mermo: primeiro que tô lenhado, não dá pra viajar; e também minha agenda tá é cheia, maluco!

   - Estás fino primo. Tens até agenda? Os emeneéssecoisa também... Estás dando uma de magrinho da capital? Aqui nessas coxilhas o tempo passa devagarzito, ainda tiramos leite da vaca. Te arremanga e vem!

   - Oxe, primo, nem pensar: agora em Dezembro tem a festa de Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e depois vem Natal e Reveillon, vai ser massa! Em Janeiro tem a festa da Boa Viagem, aí depois tem festa na Lapinha, festa da Ribeira, festa de São Lázaro, festa de Iemanjá, Lavagem do Bonfim, lavagem de Itapuã...

   - Bah, quanta lavagem, tchê! Salvador tem que ser um rincão muito limpo.

   - Cole bróder, sossegue, terminei não: e ainda tem ensaios dos blocos e bandas, Festival de Verão e Carnaval! Bróder, é muita coisa, aqui o verão é animado, é tempo pra cumê água e sair atrás do trio de Ivete, Bel, Jau, Léo, Tom, Gil, Caê, Gal, Line, Val! A Bahia é linda, Salvadô é linda! Eu é que tenho que te chamá pro reggae, negão! Bora? Se pique logo, misera, aí cê traz a menina!

   - Tchê, não posso, eu tenho que cuidar do gado e da patroa. Os gaúchos têm o Natal e a festa do fim de ano, mas a Maria tem uma tal de festa do amigo secreto. Mas tchê, tu sabes quem é esse tal de amigo secreto? Será que a patroa tá querendo que eu vista chapéu de vaca?



Fala do gaúcho: Ana Cecília Romeu 
*Fala do baiano e charges: Jaime Guimarães

   Pessoal, lá no blog do Jaime, Grooeland, tem um final alternativo que ele criou ao texto. Comentem também por lá. Aproveitem e conheçam o seu espaço, é muito inteligente. O Jaime tem um talento ímpar para fazer as charges e os textos. Obrigada, amigo, pela parceria! 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Coisa


Desenho que minha filha Luíse, de 4 anos, fez da "Coisa".
   
   Este é um texto que fiz em parceria com o amigo Jacques Beduhn*

    Mulher olha para homem e diz:

   - Por que você só fala dessa Coisa?

    - Eu falo sempre nela porque... Porque ela é muito importante pra mim, oras.

   - Bem que percebi que era importante, estava dentro de sua pasta de trabalho - mulher diz irritada

   - Se a Coisa estava lá dentro, é porque eu achei que estaria bem guardada, mas vejo que me enganei. Mas que coisa, não?

   - Ora, não posso abrir sua pasta, por quê? O mais curioso é que, além dos teus relatórios de trabalho, as revistinhas do Asterix, tinha aquela Coisa que você leva para tudo quanto é lado!

    - Você não pode escarafunchar a minha pasta! Isso não é coisa que se faça! E não confunda minha literatura gráfica com "revistinhas". Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!  E eu levo aquela Coisa pra tudo quanto é lado, porque ela me dá sorte.

   - Então fica coisando essa Coisa por aí. E pelo visto não te dou sorte, você nunca me leva para lado algum.

   - Eu não te levo a lugar algum, porque você gosta de ficar em casa assistindo a novelas e outras... coisas... He, he... Desculpe, amor. Isso não é coisa que se diga, mas eu levo minha Coisa para onde eu quiser e ponto final!

   - Então é isso? Vou abrir tua pasta agora mesmo e tirar a Coisa lá de dentro! - mulher levantou-se e dirigiu-se à pasta que estava em cima da mesa

   - NÃO! Não faz uma coisa dessas! Você vai quebrá-la! Deixe que eu vou mocoisá-la, digo, mocozá-la em um lugar mais seguro... - homem pega a pasta antes da mulher

   - Moco..., o quê? - diz mulher - Você inventa cada coisa! Me dá essa Coisa aqui.

   Mulher puxa a pasta do homem, tentando pegá-la.

   - Ah, mas por que temos de brigar por algo tão... É sempre a mesma coisa. Passa pra cá! 

   Homem e mulher seguram a pasta ao mesmo tempo.

   - A Coisa é minha! - grita a mulher, puxando-a com muita força.

   A pasta cai ao chão e abre.

   - Aaaahhh... Olha só o que você fez! - gritou o homem em desespero.

   Crash!

* Fala da mulher: Ana Cecília Romeu 
  Fala do homem: Jacques Beduhn

No blog do Jacques, tem um final alternativo que ele criou ao texto.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O amor em uma flor... de ébano

   Esse é o título do poema que fiz em conjunto 
com o amigo Jim Carbonera.
  Um dia atrás, o convidei para fazer uma estrófe de poema, tema livre, como quisesse; eu completaria com uma segunda estrófe, 
e assim por diante, numa espécie de conversa poética.
   O resultado vocês podem conferir aqui.
   1ª, 3ª e 5ª estrófes do Jim. 2ª e 4ª, minhas.
 Obrigada Jim por aceitar o desafio!

Gostaria de presentear
todas mulheres com uma flor
mas do que adianta uma flor
se nela não conter o amor?

Corta as pétalas com facão, 
indignada morena.
Corpo roliço, 
roça, toca,
molhado, molha,
segura, se vira e pára:
amor, para quê? Diz ao homem.

Porque só do amor 
sobrevive uma flor
irei tocá-la
despedaçá-la
e até penetrá-la
e amanhã?
o que restará?
nem lembranças
nem perfume
nem paixão
irei de novo 
ter que conviver
trancado na minha solidao.

Quadril, pernas, peito, revira.
Enrola na mão restos da flor,
aperta e suga,
esquece o facão.
Corpo grita:
mágoa, calor.
Comi e bebi,
me falas de solidão?
Desfalece morena.

Mas essa flor,
insaciável morena
também tem sabor
é um sabor doce
que nem o suor
que escorre pelo 
seu corpo
é marcante
é cruel
fere a alma
fazendo assim
desistir do amor
em uma flor.