![]() |
| Fotografias de Pedro Costa |
- Histórias de Viagem - Episódio 2 -
21 de julho, 2013 - domingo - Cidade
de Montevidéu, capital do Uruguai.
Ainda pela manhã, próximo ao meio-dia e um frio de 1 grau
centígrado com sensação térmica de bem menos..., o suficiente para doer os
dentes ao sorrir. Nuvens escuras, um vento forte vindo do Mar del Plata (Rio da
Prata – que emoldura toda cidade).
Montevidéu é uma capital peculiar, com um centro de
arquitetura clássica em art-deco e art-noveau, convivendo com prédios mais
modernos e ecléticos. Apesar de concentrar praticamente a metade da população
de todo o país, incluindo a região metropolitana, conserva recantos de cidade
do interior, por vezes; e um centro de grande cidade, que bem pode lembrar Nova
Iorque, mas... será que não é?
Caminhando na principal avenida, a 18 de Julio, observei que
algumas quadras estavam fechadas ao trânsito. Havia uma grua com luz, fumaça de
gelo seco, luz, câmera..., ación? Mas o que é isso?
Sim, era o que eu pensava, um set de filmagens em plena 18 de
Julio. Coisa possível nesta cidade que é grande, comporta o status
de capital, mas ainda assim não fica em caos tendo algumas quadras fechadas.
Não, se isso for num domingo de 1 grau centígrado.
Soubemos que se tratava das gravações de uma propaganda do
café de uma indústria Suíça muito conhecida. Qualquer publicitário adoraria
acompanhar essas filmagens, e por acaso, eu estava lá.
Ainda nos inteiramos que têm sido realizados com certa
frequência comerciais de grandes empresas mundiais de diversos segmentos
ambientados no centro de Montevidéu. Recentemente, passa um no Brasil de marca
famosa de calçados esportivos que foi feito na Plaza Independencia.
Entrando nas duas quadras fechadas ao trânsito, mas não aos
pedestres curiosos, parecia que se estava caminhando mesmo em Nova Iorque. As
placas das ruas, dos carros e outras das calçadas foram trocadas por simulações
norte-americanas.
Quietinhos mas nem tanto, observamos: a cena consistia na
filmagem do casal protagonista no trânsito movimentado. Ao ouvir o chamado do
diretor, os mesmos figurantes atravessavam a avenida, os automóveis davam a
partida, o guarda de trânsito fazia os sinais. Tudo do mesmo jeito nas várias
tomadas que acompanhamos. E algumas curiosidades: os figurantes usavam roupas
de meia-estação, dispensa dizer que não era tarefa fácil naquele frio todo.
Além disso, o carro dos protagonistas não pegou num primeiro momento, para riso
geral.
![]() |
| Figurantes na pausa das gravações. |
![]() |
| Automóvel com os protagonistas. |
A sensação foi de estar em Nova Iorque ou qualquer
outra grande cidade dos Estados Unidos. O cuidado com os detalhes na produção,
por instantes, me fez pensar em ter viajado para um país e chegado em outro.
Quase uma viagem dentro de outra. Sensação quebrada pela conversa aqui e ali
com os simpáticos figurantes uruguaios. Nesse momento, voltei ao Uruguai, ainda
que ali tudo parecesse ter sotaque mais longínquo, tínhamos o vento charrua, o
sorriso e a disposição de quem não tem medo do frio. E a certeza: Montevidéu é
uma capital tão especial que nela cabe o mundo.
Dedico ao Pedro, meu companheiro de todas viagens.
















