quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sobre metamorfose, Maquiavel e infelicianos


   
Fotografia de Pedro Costa
   
   Diversos fatos que são noticiados nos levam a crer que o poder adquirido através de um cargo político faz uma espécie de metamorfose, transformando sujeitos aparentemente bem intencionados em alguém com propósitos no mínimo questionáveis. Mas será que o poder corrompe?
   É de Abraham Lincoln a famosa frase: “se quiser colocar à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”; para John Emerich Acton, conhecido como Lord Acton, historiador liberal do século 19: “o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel em sua obra “O Príncipe”, - escrita em 1513, no contexto do Renascimento, com o poder político na Itália bastante dividido -, a natureza humana seria essencialmente má, e os humanos almejariam obter o máximo de ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso; ainda afirmou que “mesmo as leis mais bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”, ou seja, colocando as possíveis mudanças históricas em segundo plano sujeitas a essa natureza humana.
   Ao se deter em Maquiavel, pensei hipoteticamente que se é intrínseco uma natureza má, desde os tempos das cavernas é provável que quem detinha o título de “melhor caçador”, por exemplo, ganhasse regalias, e concedesse outras a quem demonstrasse fidelidade, em uma espécie de “jetom da pedra lascada”. E assim, se formaram os primeiros grupos, guetos, tribos..., partidos? E quem duvida disso, não é mesmo?
   Em tempos atuais no Brasil, parecemos ter retornado a Versailles em época de Revolução Francesa, onde a nobreza ignorava os apelos do povo. Impossível não fazer um paralelo com as ideias de Maquiavel quando multidões protagonizam protestos de repúdio a nomeação de Marcos Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos, inclusive com manifestos via redes sociais da internet. E o que se obtém em resposta? Ironias tal qual a famosa frase de Maria Antonieta: “se não têm pão, comam brioches”. Ou seja, o descaso em detrimento à opinião da maioria.
   Por conta dessa metamorfose que o poder exerceria ou da essência humana, seriam todos os que chegam ao poder o inverso do herói que tanto queríamos que fossem? Como cantava Cazuza: “meus inimigos estão no poder”. Mas não há exceções? De qualquer forma temos responsabilidade nas escolhas.

Crônica publicada também nos jornais:
Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul), 
Diário Popular (Pelotas), 
NH (Novo Hamburgo), Diário de Cachoeirinha/Sinos 
e Correio de Gravataí/Sinos.

35 comentários:

  1. Pessoal,
    agradeço antecipadamente a todos que por aqui passarem.
    Grande abraço!

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  2. Oi Cissa,

    eu raramente compartilho os blogs, mas esse não vai ter jeito. Vou compartilhar no meu face. Eu não costumo divulgar minhas preferências políticas, nem religiosas, etc. Mas não podemos ficar paralizados diante de absurdos como este. Em pleno século XXI, a história se repete. Excelente texto!
    Bjs
    Leila

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  3. Cissa!

    Tudo bom?

    Essa questão sobre a natureza humana ( e sua maldade) desafia filósofos há tempos. Sócrates já dizia que a maldade é fruto da ignorância; Thomas Hobbes já considerava a natureza humana egoísta e dominadora - e quando o homem possui a liberdade de agir conforme seus impulsos, ele se torna "o lobo do próprio lobo", uma expressão famosa; mas acho que a mais famosa de todas as definições sobre esta (suposta?) natureza má do homem vem de Rousseau, quando ele dizia algo como "o homem nasce bom, a sociedade o corrompe". Eu fico bastante intrigado com esta afirmação de Rousseau e já passei um tempão refletindo sobre ela. Que o desenvolvimento de uma criança é afetado a depender do ambiente em que ela está inserida é verdade - e nisso aí entram teorias de Vigotsky (sociointeracionista) sobre a formação e o desenvolvimento humano, bastante estudado em cursos de pedagogia e psicopedagogia; mas quanto à natureza do homem ser "boa" ou "ruim"... isso é bastante complicado - eu não sei como estão as pesquisas sobre psicologia comportamental no momento para dar um parecer mais claro sobre a predisposição para o mal, mas lembro de Bauman ter citado um estudo há tempos, eu é que não lembro exatamente.

    O que eu fico preocupado mesmo é com certas posturas deterministas (sobre a "natureza do mal") e até mesmo eugênicas - daquelas que foram bastante difundidas no final do século XIX e inicio do século XX para comprovar a "superioridade" de alguns e a "inferioridade" de outros. E pelo visto algumas destas ideias continuam vivas, vivíssimas por aí. Marcos Feliciano é apenas um dentre muitos que pensam exatamente como ele - e estes muitos é que elegeram o sujeito como deputado. Neste caso temos apenas a confirmação de um grupo ( bem grande, no caso) legitimando, de forma oficial e através do voto, uma forma de pensamento. Feliciano sempre foi assim. Os seus eleitores, idem.

    E aí temos o descaso, a ironia e as chacotas com protestos contra certas posturas perigosas - quando na verdade o perigo consiste justamente em tratar tais assuntos com desdém. Sócrates já exortava os homens para a busca do conhecimento para assim alcançarem a virtude ( o bem). Eu acho que este é um bom caminho para seguirmos.

    Beijo procê, Cissinha! :)

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  4. Olá!
    Querida amiga Cissa
    Obrigado pelo carinho de sempre!
    Bela crõnica...mais uma!
    sim...penso eu que a única forma possível , inclusive Acton defendia, para que o poder não corrompa é estabelecendo limites. O perigo é o poder ilimitado, sem controles e contrapesos. Creio até que se os Poderes estivessem em mãos diferentes ,haveria a possibilidade de controlar-se um ao outro, mas o que vemos é um dependendo do outro e outro do um. E como vc bem disse,cheios de regalias a quem demonstram fidelidades.E assim vamos.E quanto á Feliciano,o monstro não existiria se um Dr. Frankenstein não lhe tivesse dado vida, coordenando um órgão zelador dos direitos humanos fazendo declarações racistas e homofóbicas, vamos fazer o q? Então, vamos em frente, procurando fazer a nossa parte, essa que cabe a cada um, individualmente, já que , com chacotas e ironias,
    acham que a democracia é uma simples ditadura dessa maioria...que repudiaram e mobilizaram contra Feliciano.E pode se preparar: será candidato á Presidência.
    Boa sexta feira
    Beijos

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  5. Texto vem bem a calhar com a situação que vivemos,não só em Brasília ,mas em todos os lugares onde se exerce o poder.Parabéns.

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  6. Olá Cecília
    Acredito que os homens nascem bons, mas são corrompidos pelo meio, sendo assim quando no poder isso é inevitável.
    Bjux

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  7. Muito bem escrito e falado... E COMO temos responsabilidades nas escolhas, mesmo que por vezes, só mudem as moscas...O resto... Já sabes! beijos,chica

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  8. Cissa querida,

    Discordo de Maquiavel quando assevera que a natureza humana seria essencialmente má. Acredito, sim, na metamorfose, na transformação do ser humano no decorrer da vida e notadamente quando de posse do poder.
    Dizem que somos o produto do meio. Também não concordo, mas a se considerar tal teoria, o poder corromperia o homem, mas apenas aquele fraco e desprovido de princípios e de caráter.
    Não nego que o poder mexe com as pessoas que o detém. Isto é óbvio e visível. É incrível como os políticos se agarram às suas cadeiras. Vaidade? Orgulho? Necessidade de poder?
    A verdade é que não se pode mandar contrariando a opinião pública, mas é necessário que esta opinião não esteja dividida. Uma sociedade dividida não dá margem a mudanças de atitudes políticas. Talvez por isso Marcos Feliciano ainda permaneça em seu cargo e afrontando aqueles que o desejam fora de lá.
    O povo tem os dirigentes e governantes que merecem ter em razão de suas escolhas irresponsáveis quando comparecem às urnas.
    É lamentável que o ser humano não busque se aprimorar e que o estado não se proponha a cuidar melhor da educação de seu povo, pois somente a instrução e o conhecimento levará o povo a fazer boas escolhas e a lutar com sabedoria, força e união pelos direitos que cabem ao cidadão.

    Perfeita a sua crônica e bem oportuna.

    Obrigada pelo carinho das visitas.

    Excelente final de semana.

    Beijo.

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  9. Não creio que a maldade seja inerente à natureza humana. Mas o poder é de grande relevância nas mudanças que o homem sofre, quando não consegue manter valores e ideais. Observando o comportamento de políticos, penso que alguns só têm aptidão para ser oponentes. Nesse mister, são capazes de levantar questões que merecem necessária análise, e até apresentar sugestões, de fato, pertinentes. O poder, nesse campo, envolve a necessidade de acordos que fogem ao interesse comum. E é daí que surge a facilidade com que alguns abraçam, de forma negativa, objetivos escusos e pessoais.
    ( Eu me lembrei de você, ontem, ao ver o filme "NO", em razão de ser publicitária. Nele, percebemos o poder que existe nesse campo e a oportunidade/capacidade para se obter mudanças julgadas impossíveis, com a veiculação correta de uma propaganda.) Grande beijo!

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  10. Cissa,

    Não costumo comentar politica nem religiao, mas esta cronica é excelente! É terrível o descaso dos politicos e/ou dos poderosos contra a população. É uma amarra!

    Beijos e otimo final de semana.

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  11. a humanidade se repete em tragédias e farsas, até quando?



    beijo

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  12. Oi Cissa! Tudo bem?
    Menina, eu acho mesmo que o poder e as influências que as pessoas sofrem quando estão no poder podem mesmo corromper.
    Deve ser dificil se manter cordeiro em meio a uma matilha de lobos!
    E nós com isso? Nós elegemos 90% de lobos e 10% de cordeiros. Então não adianta reclamar depois...

    Ei minha amiga, veja se aparece mais pô! Vc só aparece quando põe postagem nova aqui!

    Valeu!

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  13. Oii Cissa, sem duvida o poder corrompe e corrompe antes mesmo da pessoa te-lo em mãos, já vi isso de perto, uma pessoa mudar radicalmente antes mesmo de assumir o poder, apenas pela eminencia dele, muito loco isso mas o poder muda as pessoas sim! Bjoooossss e parabéns, adorei a postagem!

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  14. Olá, querida Cissa! Pois, o poder corrompe aqueles que já tem o gene da corrupção. Dê a ferramenta a quem tem e ele usará, seja para o bem o para o 'bem próprio'. O homem tem o seu ego e esse pode sofrer do complexo de Charlie Brown: antes eu era pequeno e sozinho, agora farei as pessoas pequenas e sem nada.

    Ticy

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  15. Oi, Cissa!

    Concordo com você e também acho que o poder muda as pessoas, tudo bem que há preciosas exceções. Gosto de Lincoln, por exemplo. Conheço um pouco de sua biografia, mas não saberia analisar mais a fundo.

    Seu texto é muito rico, cheio de citações maravilhosas. O li ontem e fiquei refletindo para comentar. A frase de Antonieta adensa muito bem tudo que vivemos e a expressão "infeliciano"- assim como outras que só vejo aqui-, é perfeita.

    Lembro de catar coquinho na Lapônia... Muito bom!
    Beijo, te adoro!!!

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  16. Olá!
    Querida Cissa
    (vou "poluir" os comments desse post , tanto que voltei um...)
    Obrigado pelas palavras em meu blog e posso te dizer que veio em boa hora. Esse blogueiro comentarista estava passando por uma crise de identidade. risos.
    Sempre fiz questão, em meu comments, de colocar o meu entendimento, contexto e ideias.
    Natural que, com isso, posso incorrer em erros de avaliação e de interpretação, e até de"homéricos micos" (já paguei muito).Normal,até então,porque leva a minha assinatura.
    Porém, atento como sempre fui,percebi que muitos não entendem assim e não respeitam.
    Pensei, seriamente, em escrever só o básico... li, entendi, legal,etc...mas só que não sou assim.
    A partir do momento em que recebo de vc, uma cronista e contista que eu respeito muito na blogosfera ( além ,claro, uma amiga) palavras carinhosas, posso cravar que... continuarei da mesma forma...
    Obrigado!
    Bom final de semana
    Beijos

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    1. Felix,
      Teus comentários são muito inteligentes e imprescindíveis, nem pense o contrário.
      Ainda hoje te elogiei a um amigo.

      Grande beijo e te cuida, ótimo findi!
      E segue assim, nem pensa em mudar, tá bom?

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  17. Cissinha querida,

    Brigaduuuuuuuuuuuuuuuuuu! Fiquei feliz com suas palavras.
    Você e seu espaço merecem carinho e atenção. Afinal, você sempre nos brinda com ótimas e inteligentes abordagens.

    Feliz final de semana.

    Beijo.

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  18. Oi Cissa,
    Penso que o ser humano nasce com boa índole e que as situações vividas e sofridas por ele, é que o faz optar em seguir pelo caminho do bem ou seguir pelo caminho do mau. Ou seja, penso que o ser humano nasce com vontade de aprender, de viver, de descobrir e, isso, para mim, é fruto apenas do bem. Infelizmente, a educação poderá ser inadequada, vindo a aprender o mau. A ignorância; a fome; a dor; podem levar o homem a cair na tentação de errar e permanecer errando. E os políticos, bem na verdade, tiram proveito da precariedade. E, no fundo, todos nós, preparados ou não; com alcance ou não, somos vítimas desse sistema falido, que se denomina democracia. O sufrágio nada mais é do que uma falsa esperança, porque há muito não se há escolha de bons candidatos e, sequer, com estudos e qualificações adequadas para cargos no Governo. Para o sistema tornar-se honesto e eficaz, depende da educação e saúde do povo e de sua perseverança, com planos traçados. O que dizer aos Estados em miséria...?! São explorados pelos políticos e não se tornarão Estados autossuficientes jamais...

    Daí eu dizer que as nossas responsabilidades nas escolhas, são pequenas diante do que, primeiro, precisaria ser mudado; como por exemplo, a qualificação adequada aos candidatos. Penso que todos deveriam possuir ao menos, uma faculdade para assumirem cargos políticos. Querendo ou não, estudo lapida a pessoa, sim. Depois, diminuírem os salários políticos e suas mordomias e benefícios. Acabar com o nepotismo.

    E uma outra verdade, à parte: essa turma deita e rola com o nosso erário e, sequer possuem qualificação adequada. No entanto, exigem qualificação ferrenha aos que se lançam no mercado de trabalho, após estudarem trinta anos (faculdade, especialização, mestrado, doutorado e phd...), pagando um salário injusto e miserável... Somos culpados por isso... Eis a verdade. Mas podemos mudar, necessário união, força e perseverança, com firmes propósitos e planos.

    Beijos Cissa, até breve...

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  19. aninha,
    leio aqui flashes de um brasil mas transponho as lâminas da tua crónica para a realidade portuguesa. não, não creio que o homem seja naturalmente perverso, ou, como dizia rosseau, acredito na sua natural bondade, acredito que haja alguns homens que procuram fazer o melhor que podem e sabem, todavia, e na lógica das forças contrárias que agitam fazendo avançar, sei o homem como tendencialmente egoísta e vaidoso, sobrepondo o seu sucesso ao de todos. apesar da mão sobre a bíblia, das juras fáceis e do pretenso (re)conhecimento da essência da palavra (e das suas implicações semânticas) "política" - do grego "polis" ligando a actio à vida da cidade e ao bem-estar dos cidadãos -, todos acabam por se servir dos artifícios dos que os precederam, iludindo com línguas bífidas e desculpabilizando más ações com fatores externos a si mesmos, à sua dinâmica e vontade. por isso, mesmo acreditando genericamente em democracia, receio que as nossas escolhas tendencialmente estejam votadas a um único destino - aquele que subordina a mudança aos interesses individuais. ainda assim, jamais resignar.

    beijinho e parabéns por mais uma crónica a voar para as páginas de alguns dos jornais mais reputados do brasil!

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  20. Olá querida flor da tarde!!

    Estive lá no outro site, e vim correndo pra cá, pra comentar aqui também.
    Muito boa a tua crõnica, querida, e apesar de o tema ser uma problemática do nosso tempo, você tem a graciosidade de tratá-lo de forma interessante!

    Prefiro o pensamento do grande Socrates sobre a maldade no homem ser fruto da ignorância, porque senão,seria negar a minha convicção na evolução espiritual, e na Inteligência suprema de Deus que cria a todos os seres , bons em essência, mas simples e desconhecedores das Leis da Vida, que só viriam a conhecer através das existências sucessivas.
    Contudo, os milênios se sucedem, e muitos indivíduos negam a vida e a si mesmos, permanecendo em sua acomodada posição de parasitas das potencialidades alheias. Como comentei lá no Gazeta do Sul, penso que muitos políticos vaidosos e corruptos não passariam de reles vigaristas ou ladrões vulgares, caso não houvessem sido eleitos para a administração ou ao poder público, pelo voto de um povo que durante muitos anos ,também, se recusou a conhecer a Política, preferindo vender e barganhar seu voto. Com muitas exceções, evidentemente!!

    Como sempre, Cissa, as tuas crônicas, são excelentes, porque claras, objetivas, e super agradáveis de serem lidas. Adoro!

    Bom domingo e feliz nova semana, amiga linda!
    Bjos da Lu...

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  21. Eu também acho que o poder muda as pessoas! E pior, não só o poder público, dê um "cargozinho" a algum pobre de espirito e verás o resultado !

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  22. Olá querida amiga Císsa.

    Como estás?
    Desculpa a ausência, tenho estado doente. Estive 16 dias hospitalizada. Terei de ser operada daqui a 3 meses.
    Gostei de ler a tua crónica.
    Muito rica, inteligente e lógica! :)
    Parabéns!
    Acho que as pessoas quando alcançam o poder material, ficam com uma grande sede de obter mais e mais, chegando a tornar-se irracionais.

    Beijinhos,

    Cris Henriques

    http://oqueomeucoracaodiz.blogspot.com

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  23. Cissa, que texto maravilhoso, simples, direto, profundo, e me tocou bastante, e a natureza humana é algo paradoxal, ao mesmo tempo previsível e decepcionante, não sei se o poder transforma as pessoas ou revela o seu caráter escondido, mas creio que pessoas de um caráter incólume, são indiferentes quando conseguem status, dinheiro ou poder. Em relação ao Marquito Infeliciano, esse cara deveria tomar vergonha na cara e sair, pois o nível de insatisfação é grande, não só de evangélicos, mas de todas as camadas da sociedade.

    Parabéns pelo belo texto, como sempre Cissa, cada vez melhor. Abração.

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  24. Saudades de ler as suas cronicas Cecília.
    Que bom seria se os homens fossem mais espirituais...

    Gostei muito.
    Boa semana
    beijos
    cecilia vb

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  25. Olá minha querida Cissa! Bom poder ler aqui mais uma bela publicação sua. O julgamento que se faz a respeito homem na vida pública e, em particular, no cenário político, tem toda razão de ser. É óbvio que as exceções existem. Sim, existem os bons políticos. Entretanto, eles são minorias. Essa minoria acaba se tornando álibi para os oportunistas de plantão se elegerem e fortalecerem a massa dos que sugam o país. Não creio que o poder corrompe. Já vi muitos que, depois que entraram nele, saírem frustrados com a realidade triste que viram por lá. Muita coisa se pode falar a respeito de sua publicação. Eu me concentrei nessa parte em especial, mas o cardápio é variado. Um beijo no seu coração, minha amiga.

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  26. Toda vez que leio os famosos "protestos" contra políticos nas redes sociais eu fico pensando: até que ponto eu posso reclamar tanto se esses caras que estão lá são reflexo, também, do meu pensamento!

    Penso que devemos tentar mudar o país, melhorar o mundo, sim, mas tendo sempre em mente que o voto é nossa arma mais poderosa... se escolhemos mal, o erro está feito. Se as coisas estão funcionando como deveriam, também é responsabilidade nossa (esse pensamento é reconfortante... rsss)

    E, como nos faz refletir o teu excelente texto, Ana, se somos essencialmente maus, desde os primórdios do ser humano, o que acontece de ruim no mundo é, também, parte de nós e nossas ações.

    Se as coisas estão do jeito que estão e partindo do pressuposto levantado no texto, não podemos imputar a outrem uma responsabilidade que é, em parte, nossa! É minha opinião... :-))

    Muito obrigada por nos possibilitar um outro viés de reflexão sobre nossa realidade atual!

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  27. Oi, ilustríssima amiga Cissa!
    Dizem que "se quiser conhecer sua namorada (o), case-se com ela (ele). Se quiser conhecer sua esposa (o), separe-se dela (dele) e se quiser conhecer um homem, dê-lhe poder". Assim iremos conhecer alguém mais profundamente. No entanto, creio que a ocasião não faz o ladrão, pois apenas o estimulou a se manisfestar.
    Como a humanidade é possuidora de livre arbítrio e pode escolher o caminho do bem ou do mal. Se fizer uso de sua inteligência, certamente não se corromperá jamais; agora se suas ações forem regidas timocentricamente (o que é um hábito), o homem sempre será corrompido pelo seu egoísmo em detrimento da coletividade.
    Tua crônica, como sempre, é de uma lucidez e sabedoria ímpar.

    Amiga, estou com o tempo que tinha para o blog ocupado com estudo e trabalho, por isso não estou podendo postar. Não tenho intenção de fechá-lo (nem abandoná-lo), uma vez que, mesmo sem publicar, tem cerca de cento e trinta acessos diários, ou seja, minhas escritas estão servindo de aporte para muitas pessoas e isso me deixa contente.

    Obrigado pela amizade e abraços do amigo de sempre.

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  28. Estava lendo essa matéria e achei interessante :

    "Quem disse que o poder corrompe?"

    http://revistacriativa.globo.com/Criativa/0,19125,ETT1323542-4855,00.html

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  29. Querida Cissa

    Mais uma das suas crônicas que aprecio. A impressão que se dá é que o plenário da câmara é uma baderna sem fim, sem autoridade onde os representantes do povo não tem força para resolver nada. Cadê a democracia? Agora pergunto: a maioria dos candidatos para representar o povo se elegem para o bem comum?. Com a minoria bem intenciondada fica difícil mudar esse cenário.
    Infelizmente é nossa sina desde Maquiavel e tempos mais remotos " O poder corrompe".
    Adorei, Cissa.

    Uma linda semana para você.
    Bjs.

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  30. Eu concordo com a frase citada de Abraham Lincoln, mas discordo quanto a natureza humana ser de uma ou outra maneira apenas: acho que há pessoas más e há pessoas boas, há pessoas nascidas da carne, e outras nascidas da boa vontade. Está muito boa esta crônica.

    BjóKawanami

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  31. Boa noite minha querida !
    Saudades dessa menina sorriso!
    Saudades dessa menina carinho!
    O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética.O que mais preocupa é o silêncio dos bons,onde tem medo e assimila toda forma de expressão como protesto.O teu texto relata muito bem essa forma que vivemos diante de quem tem o poder...
    Bjs minha linda !!!!!!!!!!!!!!!

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  32. Ana, eu até evitei comentar em meu blogue acerca deste que eu considero um retrocesso em que nosso país está vivendo, porque percebo, mesmo que de modo camuflado, que há muitos seguidores de Infeliciânus, tipo, são "contra" ele mas, ao observarmos posts e comentários, as ideias são as mesmas.
    Meu conhecimento de política é limitado, contudo, não é preciso ser muito "politizado" para percebermos coisas que estão tão evidentes.
    Eu, tal como a nossa parceira Joicy, defendo o voto nulo. Isto para muitos é fugir da responsabilidade, mas até que ponto votos ou protestos podem fazer a diferença em nosso país, é o que eu questiono.
    Você que conhece a Argentina e sua história, sabe tanto quanto eu que aquele povo não é de calar a boca. Eles iam às ruas batendo panelas e todos consideramos admiráveis estas atitudes e então me pergunto: Por que no Brasil é diferente?
    O que aconteceu com o nosso país que a nossa geração hoje quando vai às ruas não é ouvida? Foi ingenuidade daqueles estudantes que pintaram a cara e saíram as ruas exigindo o impeachment de Collor? Era para acontecer por algum outro interesse, por este motivo foram "ouvidos?"
    Estou perguntando por pura ignorância mesmo. Vejo mobilizações não só na internet, aqui em Brasília houveram diversas, e sei que em todo o país e até fora do país.
    Pergunto-me se todo este pessoal é realmente minoria. Ou se de fato, o nosso país tem os governantes que merecem. Se for isto, o voto e os gritos dos que não são fanáticos religiosos não valem de nada e a frase típica do "não nos representa" fará todo o sentido.
    Não representa uma minoria ou não representa a maioria, mas nada é feito por interesses que desconhecemos? Afinal, a presidência deste "cidadão" na CDHM foi feita às escuras, a portas fechadas.
    Em minha opinião, o poder apenas mostra quem são as pessoas. E acredito que a maldade seja da nossa natureza, no entanto, há os que sabem controlá-la e conseguem dar outro valor ao termo "humano" e há outros que sentem-se mais livres para se corromper, pensando apenas em si próprio.
    Mas ninguém tem o poder se não tiver recursos para isto. E acho desanimador ver o quanto esta doença está se espalhando por nosso país. Há um outro pastor (não recordo o nome agora) que usou uma camiseta com uma frase que dizia mais ou menos que a Constituição não era para ser seguida e sim a Bíblia.
    E como ficam os ateus, agnósticos, espíritas, espiritualistas que não tem a bíblia como lei? Estado laico, onde?
    Religião é uma coisa, política é outra e não deveriam se misturar, mas infelizmente não é o que está acontecendo. Parafraseando um follower do Twitter: "Logo viveremos em um Islã cristão."



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  33. Esqueci de mencionar algo que deveria ter feito desde que entrei aqui no post anterior, a mudança de Humor em conto para Letras. Tem mais a ver com o conteúdo do blogue e gostei bastante da arte do cabeçalho.

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  34. Cissinha,


    Tudo bem? Sabe que nessa questão do Feliciano rejeito a conduta dele e não tolero a questão da imposição de mudanças ou de valores. Algo assim, não quero ir a Oceania para entender a Africa. Acho que tudo tem um padrão para mudança, e, assim, penso que é difícil quando não estamos abertos ao novo, principalmente quando esse novo nos exige pensar fora do quadrado, é normal a contestação.

    Isso me lembra na ciência a questão do contraditório ou da dialética, desaprendemos para aprender. Penso que a questão passe em entender o diferente para não cometer o mesmo erro no que já é padrão. Enfim, ele é a pessoa errada e precisa entender que apenas vai incitar mais revolta se continuar com esse posicionamento.

    Beijos e lindo dia das mães!

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